ACABARAM COM O PRAZER E COM O ENCANTO
Sou do tempo em que as convenções dos partidos políticos eram palco de disputas, um jogo sadio, com festas e bastidores. Os filiados escolhiam os dirigentes e, em convenção própria, os candidatos às vagas nos parlamentos e no Poder Executivo. As conversas e composições duravam meses, mas nunca chegavam plenamente resolvidas. As decisões só ocorriam nos plenários dos encontros.
Como secretário-geral do PFL no estado e na cidade do Rio de Janeiro e, em outras ocasiões, como primeiro-tesoureiro ou mesmo simples membro dos diretórios, organizei convenções e vi o desenrolar de disputas e composições.
Em 1986, por exemplo, os filiados ao partido tiveram que decidir se concordavam com uma aliança com o PMDB para apoiar a candidatura de Moreira Franco ao governo ou se a melhor escolha seria o senador Nelson Carneiro. Em 1994, houve outra disputa acirrada, porque o então presidente da CSN, Roberto Procópio Lima Neto, que ainda não era deputado federal, insistiu em ser candidato pelo partido, impedindo uma aliança com o PSDB para a eleição de Marcello Alencar.
No voto, vencemos a proposta de Lima Neto, e o partido assinou a aliança. Lima Neto ficou com uma vaga na disputa pelo mandato de deputado federal e foi eleito. Até “primárias” tivemos no partido, quando, em 1985, Álvaro Valle e Rubem Medina disputaram a vaga de candidato à Prefeitura do Rio. Álvaro perdeu a disputa, saiu do partido e criou o PL.
Hoje, não é mais assim. Os filiados não têm voz nem voto. Todo o prazer e o encanto das disputas partidárias cederam lugar a essa coisa esquisita, que limita a participação política e escraviza o povo às escolhas feitas por dirigentes com mandatos vitalícios e hereditários.
Antes leões com vigor, hoje, os partidos são leões decrépitos e desdentados.


