Minha estante.
“Se Deus é aquele velho pintado por Michelangelo na abóbada da Sistina, já cogitei esperá-lo na esquina para lhe dizer umas boas. Na adolescência, refleti sobre um traço muito forte da personalidade divina: a vocação humorística…”
“Não paira dúvida — disse o Dr. Julinho — Getúlio escreveu o capítulo derradeiro de uma história de extrema prepotência e arrogância, até na morte.”
“Sobre o Largo de São Francisco, o prédio da Faculdade de Direito incumbe como pesadelo: maciço, cinzento e insolente, confunde arrogância com solenidade.”
“As circunstâncias me obrigam a acentuar aspectos da superioridade feminina, observados desde a infância. Desde o primário, elas tiram as notas mais altas; desde então, não ponho em dúvida a primazia delas.” Mino refere-se à “primazia da fêmea”.
“Dias agitados. Espalhava-se a súbita febre das bombas. Primeiro, explosões em bancas de jornais. Depois, no Rio, dois estrondos maiores: um nas oficinas da Tribuna da Imprensa; outro, na sede da OAB, que matou a secretária dona Lida. O Globo publicou Raymundo Faoro visitando os locais devastados, ele que, entre 1977 e 1979, transformara a entidade em foco de resistência à ditadura.”
Mino Carta propõe uma leitura ensaística que foge tanto do ufanismo quanto do pessimismo fácil. A partir de sua trajetória no jornalismo político, desmonta o mito de um país cordial e naturalmente democrático, revelando desigualdades estruturais, autoritarismos recorrentes e uma elite historicamente refratária à inclusão social.
Com densidade histórica e política, o livro revisita episódios centrais da República, o papel da imprensa e a promiscuidade entre poder econômico e poder político. A crítica à mídia é direta: longe de ser contrapoder, muitas vezes atua como parte interessada na manutenção da ordem.
O Brasil é um livro incômodo — e necessário. Não oferece receitas, mas convida a abandonar ilusões confortáveis e a encarar o país como ele é.
Mino Carta faleceu no ano passado. Tive a honra de conhecê-lo, em um encontro na CartaCapital, em São Paulo, a mim apresentado por Maurício Dias, amigo querido que partiu cedo.
Leitura fundamental para a formação política.O B

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Comunicação Política.
Novamente, sobre jornalismo.“A Arte da Entrevista – Uma antologia de 1823 aos nossos dias”, é uma coletânea organizada por Fábio Altman e que se tornou

