Daqui a alguns dias, uma comissão do Senado voltará a se reunir para sabatinar mais um indicado ao Supremo Tribunal Federal. Mas, no fundo, pouco importa quem será o sabatinado. O que realmente pesa é o capital político de quem o indicou. O restante é encenação.
A sabatina poderia ser um instrumento real de controle — se houvesse, entre os senadores, disposição para confrontar, investigar e, se necessário, punir os escolhidos, uma vez que tivessem renunciado aos compromissos que assumiram com o Senado e com o povo no momento da sabatina.
Se houvesse coragem dos senadores para responsabilizar quem mente diante do país. Mas não há. Falta vontade, sobra conveniência.
O resultado é previsível. A sabatina transforma-se em rito protocolar, um teatro onde perguntas são feitas para não serem aprofundadas, e respostas são dadas sem compromisso com a verdade.
Uma vez empossados, os ministros do STF exercem suas funções com ampla margem de liberdade sem o devido contrapeso político.
A Constituição estabelece mecanismos de fiscalização e responsabilização.
O Senado abriu mão dessa prerrogativa. E, ao fazê-lo, abriu mão também de exercer um poder que não lhe pertence, mas que lhe foi confiado pelo povo.
E o povo?
Esse entra em cena apenas quando convém — no calendário eleitoral. Fora dele, assiste apalermado.


