Antes do jogo Brasil e Suécia – um show da seleção brasileira – Michele Bolsonaro queixou-se dos filhos do marido e acusou as atitudes do “zero um” com ela como uma grosseria – “uma punhalada”.
Na origem da troca de farpas, está Ciro Gomes, que em 2002, perdeu uma eleição ganha para a Presidência da República, por uma grosseria ao referir-se à pessoa com quem estava casado na época, Patrícia Pillar. “A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental.”
As mulheres brasileiras o derrotaram.
Na campanha para a Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, o deputado Pedro Paulo derreteu quando foi acusado de agredir fisicamente a esposa. Para livrar-se da pecha, Pedro Paulo colocou uma mulher na posição de Vice na chapa, a deputada Cidinha Campos. Não adiantou. As mulheres cariocas o derrotaram.
Flávio Bolsonaro tratou o pronunciamento da Michele com desdém e classificou o ato como vaidade. Mas, em seguida, fez circular nas redes a notícia de que poderá ter a deputada federal Bia Kicis na como candidata a Vice.
Não fosse suficiente o problema que as mulheres enfrentam ao ingressarem na política, surgiu uma novidade no cenário: as trans e por conta disso, a sociedade brasileira tem sido bombardeada pela disputa delas ou deles, sei lá, pelo uso dos banheiros femininos nos shoppings.
Não faz muito tempo – no dia 17 de junho – eu comentei o audiolivro, “Quando Deus era Mulher” e destaquei as palavras da Marcela Ceribelli, CEO e diretora criativa da Agência Óbvias, que assina a introdução. Reproduzo alguns trechos:
“(…) Como ratinhos de laboratório se movendo em uma roda, sem chegar a lugar algum, convivemos com a sensação constante de que não vamos dar conta, resultante de exigências que parecem mínimas, mas que são contradições ambulantes.
“(…). O ápice dessa feminilidade moderna insiste que devemos nos colocar em segundo plano…. O silenciamento feminino foi tão bem articulado que muitos consideram como mulheres agradáveis aquelas que falam pouco e, preferencialmente, em voz baixa.
(…). Outra sensação que temos é de que não somos dignas de merecimento algum, seja em nossa profissão, seja em nossa vida pessoal, porque aprendemos a depositar nossa autoestima e nosso valor em conquistas alheias e que pouco dependem de nós.
Sou fiel à ideia de que podemos sim viver em uma sociedade igualitária, mas o primeiro passo para isso é rompermos as barreiras do silêncio, questionarmos e travarmos as batalhas corretas.(…)”
Michele Bolsonaro, para quem sabe ler, em resumo, avisou ao senador: “Na marra não! O meu apoio depende da minha vontade”. Simples assim.
A experiência me diz que é bem possível que Michele Bolsonaro tenha antecipado a derrota que as mulheres imporão ao senador Flávio Bolsonaro. Quem sabe? Se o PL e a direita quiserem mesmo derrotar o Lula, precisam começar a pensar em tirar o Flávio da disputa.


