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O Presidente do Banco Central prestou esclarecimentos à CPI do Crime Organizado. De tudo o que ele disse, a falta de estrutura técnica do Banco Central para cumprir o papel de fiscalizador, foi a notícia relevante.
“O senhor tem razão ao tocar nesse ponto, porque ele revela um problema estrutural importante. Hoje, o Banco Central do Brasil tem uma idiossincrasia institucional que nos limita.
Nós operamos com dois orçamentos: o monetário e o fiscal. E, no nosso caso, parte das atividades está em um, parte está em outro. Isso cria uma assimetria operacional relevante. Dependendo da atividade, temos capacidade de agir; em outras, enfrentamos restrições severas.
E isso impacta diretamente a nossa capacidade de fiscalização.
Só para dar um dado objetivo: nos últimos dez anos, o Banco Central perdeu quase um quarto do seu quadro — não para o mercado, mas por aposentadoria. Hoje temos cerca de 3 mil servidores.
Para efeito de comparação, o Federal Reserve tem cerca de 23 mil. O Banco Central da Índia, 13 mil.
E nós operamos um dos sistemas financeiros mais dinâmicos e complexos do mundo. Temos, por exemplo, o PIX, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Depois dos eventos recentes, o Banco Central precisou desenvolver sistemas de alerta para movimentações atípicas — uma atribuição que, originalmente, seria das próprias instituições. Esses sistemas disparam alertas de madrugada, em fins de semana, e são atendidos por servidores movidos, essencialmente, por senso de responsabilidade. Não há adicional, não há estrutura proporcional à criticidade do trabalho.
Enquanto isso, o crime organizado investe pesado em tecnologia, todos os dias, para encontrar novas formas de burlar o sistema.
Se a gente olha para fora, o contraste é claro. Em muitos casos, no Brasil, um servidor acompanha até dez instituições. Em alguns países europeus, você tem 30 pessoas acompanhando uma única instituição.
E mais: o mundo está migrando rapidamente para supervisão baseada em tecnologia, especialmente inteligência artificial, porque quando você tem um sistema que movimenta trilhões por dia, não é realista imaginar que apenas mais pessoas vão resolver o problema.
Os principais bancos centrais do mundo já desenvolvem sistemas próprios, com alto nível de sigilo e sofisticação. O Brasil tem capacidade técnica para isso.
O que falta são condições institucionais”.
A folha de pagamento do BACEN aponta Gasto Anual de aproximadamente R$ 3,8 bilhões a R$ 4,2 bilhões. Esse valor engloba servidores ativos, inativos (aposentados) e pensionistas. É muito? É pouco?

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