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Estratégia: Três Lições em Três Nomes

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A história não é generosa com os idealistas, pois costuma premiar aqueles que compreendem a realidade antes de tentar transformá-la. A estratégia nasce justamente da capacidade de se enxergar o terreno como ele é, e não como gostaríamos que fosse.

Três nomes, separados por séculos, ajudam a compreender essa verdade fundamental: El Cid, Maquiavel e Bolsonaro.

Rodrigo Díaz de Vivar, conhecido como El Cid, viveu numa Espanha fragmentada por guerras, disputas dinásticas e conflitos religiosos. Sua sobrevivência política não veio da rigidez ideológica, mas da capacidade de adaptação. Ele serviu reis cristãos, negociou com governantes muçulmanos e construiu alianças conforme as circunstâncias exigiam. Para muitos, isso parece oportunismo. Para a estratégia, é inteligência política.

El Cid compreendia que o primeiro dever de um líder é permanecer relevante. Quem desaparece do tabuleiro não muda a história. Quem permanece nele pode influenciar seus rumos.

Sua principal lição é simples: a realidade não se curva às nossas preferências.

Séculos depois, surgiu Maquiavel, um observador da política real. Seu mérito foi separar o mundo dos desejos do mundo dos fatos.

O príncipe sábio, ensinava ele, não governa baseado em como as pessoas deveriam agir, mas em como efetivamente agem. Não se constrói estratégias sobre intenções, mas sobre circunstâncias.

A política, para Maquiavel, exige lucidez e compreensão das correlações de força, limites institucionais, interesses conflitantes e mudanças de cenário.
Estratégia é leitura correta da realidade.

O caso de Jair Bolsonaro e de seu núcleo político oferece uma lição contemporânea sobre os riscos de ignorar esse princípio. Durante anos, Bolsonaro demonstrou grande capacidade de interpretar o sentimento de parcelas significativas da sociedade brasileira. Porém, em momentos decisivos, a convicção pareceu substituir o cálculo estratégico.

A aposta em determinadas narrativas, a dificuldade de ampliar alianças e a insistência em cenários que não encontravam respaldo suficiente nas instituições acabaram produzindo um choque entre expectativa e realidade.

Toda liderança precisa de convicções., que sem avaliação objetiva do terreno, podem transformar-se em armadilhas.

Na política, não basta ter razão aos olhos dos próprios apoiadores. É necessário compreender os limites do possível.

El Cid, Maquiavel e Bolsonaro representam três momentos distintos de uma mesma questão: a relação entre vontade e realidade.
El Cid sobreviveu porque compreendeu o ambiente em que atuava. Maquiavel explicou intelectualmente por que isso era necessário e Bolsonaro ilustra os riscos de acreditar que a realidade acabará cedendo à força da convicção.

A grande lição estratégica permanece a mesma através dos séculos: quem ignora o terreno perde a batalha.
Somente quem enxerga a realidade sem ilusões consegue, algum dia, mudá-la

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