Retirado do livro “Moisés codinome Ulysses Guimarães – Uma biografia, de Luiz Gutemberg, um bom jornalista, que faleceu no dia 26 de agosto deste ano. É uma obra que eu indico para esses dias de uma prática política infernal no Brasil:
“Quo vadis, Ulysses? De repente, como se só então houvesse reparado no comportamento que há oito anos praticava, tomei consciência do que fazia naquele táxi. Enfrentando o insuportável calor do Rio de Janeiro de quase meio-dia, sobraçava minha pastinha de documentos para mais uma ronda pelos ministérios e repartições públicas, levando pedidos de prefeitos e eleitores.
Quo vadis, Ulysses? Interroguei-me mais uma vez e mandei que o táxi mudasse de rumo. Desisti do roteiro que deveria cumprir naquela manhã. Ministério da Viação, na praça Quinze. Depois o Ministério da Saúde, que funcionava no prédio do Clube de Engenharia, na avenida Rio Branco. Por fim, o BNDE, na rua Sete de Setembro.
Naquele momento, decidi que não estava na política para ser um despachante, nem o Estado que eu imaginava tinha lugar para aquele tipo de política que estava praticando. Não importava que aquela fosse a medida de presunção brasileira da eficiência dos parlamentares. Naquele átimo, também pensei nisso, e decidi que iria transgredir esse costume.
O que eu queria da política era coisa bem diferente. Nunca mais voltaria àquelas peregrinações. A minha euforia de nascituro estimulou a gorjeta generosa ao taxista.”


