Qualquer discussão sobre a democracia na Venezuela precisa ir além da prisão de Nicolás Maduro e de seu círculo. A pergunta central é outra: a cultura democrática ainda existe ali?
Sem uma resposta sincera, toda “intervenção” — armada, diplomática ou econômica — corre o risco de repetir o erro histórico de se imaginar que a democracia se faz de fora para dentro. Ela não se impõe. Ou se constrói por dentro — ou não existe.
A intervenção mais dolorosa sofrida pelos países da América Latina foi silenciosa. Chamou-se Consenso de Washington.
Endividados até a raiz dos cabelos com os bancos internacionais, governos latino-americanos foram chamados à mesa pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial. m troca de crédito e “estabilidade”, os países foram obrigados a aceitar um pacote de dez princípios apresentados como técnica neutra — mas profundamente políticos.
Disciplina fiscal (controle do déficit público); redução do gasto público considerado improdutivo; reforma tributária (base ampla, alíquotas moderadas); juros determinados pelo mercado; taxa de câmbio competitiva; abertura comercial; abertura ao investimento estrangeiro direto; privatizações; desregulamentação e proteção à propriedade privada.
Os interventores, com planilhas e manuais, atropelaram culturas econômicas, instituições frágeis e realidades sociais complexas. O resultado foi o fracasso das economias locais, porque a mudança de cultura não se faz na marra — nem com soldados, nem com tecnocratas.
E por aqui, no Brasil após o carnaval? A cultura democrática ainda respira? Você pode responder. E após a resposta, me dizer que tipo de consenso nos mantém pobres e submissos à vontade dos agentes do Estado?

Uncategorized
Comunicação Política.
Novamente, sobre jornalismo.“A Arte da Entrevista – Uma antologia de 1823 aos nossos dias”, é uma coletânea organizada por Fábio Altman e que se tornou

