
Parte IV do livro Moreira Franco — Política como Destino, obra-prima concebida e organizada por Aspásia Camargo: “Missão impossível: como desenvolver o Estado do Rio?”
De fato, essa ainda é uma missão impossível — uma saga que começou em 1982, quando o povo do Estado do Rio de Janeiro escolheu o político Leonel de Moura Brizola para governá-lo.
Aspásia Camargo perguntou ao ex-governador Moreira Franco:
“Mas qual foi, afinal, a herança que você recebeu do governo Brizola?”
Moreira respondeu:
“Para iniciar a conversa, a máquina administrativa do governo estava destroçada em toda a sua ampla extensão, do Palácio Guanabara ao mais remoto centro de saúde de um pequeno distrito (…).”
Sobre a Segurança Pública, Moreira Franco disse:
“Brizola identificava a polícia como repressiva contra o povo e como uma herança do regime militar. A solução que ele adotou foi liberar geral, encarando o bandido como ‘bandido social’…
E não foi só isso. A mesma visão ideológica justificou a delegação, a um colegiado de presidiários, da gestão dos presídios. Esse colegiado era eleito pelos próprios presos, que controlavam a administração das unidades prisionais… Em suma, quando assumi, o crime organizado já exercia liderança dentro e fora das prisões do Estado do Rio de Janeiro, com suas facções já presentes em diversos estados da Federação. A extensão e a profundidade de sua atuação tornavam difícil combatê-las.”
Ao tratar da herança deixada pelo governo Brizola na administração e nas finanças estaduais, Moreira reforça:
“Para iniciar a conversa, a máquina administrativa do governo estava destroçada em toda a sua ampla extensão, do Palácio Guanabara ao mais remoto centro de saúde de um pequeno distrito…”
O livro também traz o depoimento do advogado Jorge Hilário, que assumiu a Secretaria de Fazenda no governo Moreira Franco:
“Eu perguntei ao Moreira como ia ser a transição. Então pensei: ‘Vou procurar o César Maia’, porque ele era secretário, tinha sido deputado, e eu o conhecia vagamente…
Eu estava crente de que ele ia me dar todas as informações possíveis e disponíveis. E aí ele colocou um pedaço de papel na minha mão, que dizia quanto era a arrecadação e algumas bobagens que qualquer um poderia saber, sem a informação do secretário. Então, quando assumimos a Secretaria de Fazenda, não tínhamos nenhuma informação, nenhum dado. Nada, nada…”
Ainda sobre a herança deixada por César Maia como secretário de Fazenda, Jorge Hilário relata:
“Pedi a lista de todos os fiscais para saber como eles trabalhavam, quais trabalhavam e quais não trabalhavam. Verifiquei que havia alguns fiscais que ficavam sempre em casa, que não iam à repartição… Verifiquei que um desses fiscais era Bené Nunes, o famoso pianista…”
Moreira arrumou a casa, cercando-se de secretários com excelentes currículos. Na eleição seguinte, porém, o povo devolveu o governo ao calamitoso Leonel Brizola. Depois dele, entregou-o a Marcello Alencar, outro brizolista; em seguida, a Garotinho, da mesma raiz, e a Rosinha, idem, que assumiu após um curto período da Benedita da Silva no governo, que conseguiu algo que parecia impossível: piorar um governo já tido como ruim.
Chegou-se, então, a Sérgio Cabral, que dispensou comentários. Passamos por Wilson Witzel e Cláudio Castro. Agora, as pesquisas apresentam fortes indícios de que o povo poderá entregar o governo a mais um herdeiro do brizolismo — e que carrega o DNA político de Sérgio Cabral e as heranças malditas do Lula.
Por isso, todo cuidado é pouco.