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O FLUMINENSE E EU

Autor Jackson Vasconcelos – 18 de maio de 2025

O advogado Ademar Arrais, tricolor, me fez voltar a pensar no Fluminense com mais atenção. Pela segunda vez ele me procura para ajudá-lo a ser eleito presidente do clube. Na primeira vez, resisti. Ele foi candidato e em nome de uma composição da oposição, renunciou à candidatura. Acredita que fez mal, pois a oposição não se uniu e tomou uma surra do atual presidente, Mário Bittencourt. Resolvi aceitar o convite, em razão da enorme ajuda que Ademar Arrais deu ao Peter Siemsen, tanto na primeira eleição dele, quanto na última. Peter foi a causa da minha aproximação com o Fluminense, quando me convidou para organizar as campanhas dele de eleição e reeleição. Entre um momento e outro, estive na gestão do Fluminense. 

As vitórias do Peter Siemsen foram patrocinadas pela estratégia correta, uma área em que me julgo, até com certa vaidade, muito bom. E, sem humildade, garanto que a terceira vitória do Peter com a candidatura do Pedro Abad, ainda foi resultado das estratégias traçadas por mim. Quando Pedro Abad foi candidato e eleito eu já não estava mais no Fluminense, mas o legado funcionou. Quando saí do Fluminense, escrevi e publiquei um livro para contar a minha experiência com a gestão do clube. 

O meu contrato com Ademar está motivado pelo compromisso pessoal, por isso, ele não acompanha os valores dos contratos que tenho para a elaboração de estratégias para campanhas e gestão de mandatos. O contrato me dá o prazer de participar de um desejo legítimo do Ademar Arrais de ser presidente do Fluminense para aplicar um modelo de gestão que ele defende faz tempo. Ademar até tentou usá-lo nas gestões do Peter, mas não conseguiu, por isso se afastou. 

Peter Siemsen fez um grande trabalho e eu tive a honra de ser a pessoa que organizou os processos das decisões dele e o ambiente político para que ele pudesse trabalhar. Durante o período, as crises nas finanças foram constantes, com bloqueios judiciais nas contas e outras coisas semelhantes. Houve até a saída da UNIMED, que a despeito da competência do Celso Barros, entrou numa situação financeira bem delicada. 

Peter, contudo, conseguiu dar aos torcedores uma janela para participarem da escolha dos presidentes, ao modificar o estatuto com uma decisão da Assembléia-Geral. A sede de Laranjeiras foi toda reformada, do Salão Nobre ao Parque Aquático, passando pelas quadras de tênis, estande de tiro, bares e academias. A Ouvidoria do Clube, sob a gerência de uma profissional de excepcional talento, deu voz aos usuários do clube. Enfim, tivemos um banho de realizações positivas, premiadas quase ao final da gestão do Peter com a inauguração do Centro de Treinamento do Futebol Profissional – CT. Pedro Antonio da Silva fez o projeto acontecer. 

Quando volto, agora, a pensar no Fluminense para ajudar Ademar Arrais, vejo, lamentavelmente, cumprida a previsão que fiz na introdução do livro que escrevi, “”O Jogo dos Cartolas”. Vejam só: Uma das grandes heranças da antiguidade clássica é a mitologia grega, com suas histórias fascinantes, que se aplicam perfeitamente aos dias atuais. Uma das recorrentes e representativas da realidade humana é o mito de Sísifo. Condenado pelos deuses do Olimpo após denunciar a conduta inapropriada do próprio Zeus, Sísifo foi obrigado a passar o resto dos seus dias carregando uma enorme e pesada pedra morro acima, apenas para vê-la despencar a cada chegada e obrigá-lo a refazer o doloroso percurso…”

Espero que a oposição se una em torno do Ademar Arrais para que ele consiga organizar um time de profissionais competentes para recuperar o Fluminense. Para dar paz ao Sísifo. 

Os editores, André Figueiredo e Gabriela Javier, dois tricolores, foram fundamentais na construção do livro. Cadu e Lívia, dois profissionais de excelência, foram os idealizadores. 

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Podcast: “O Jogo dos Cartolas”, com Felipe Ximenes (Parte 2)

Confira a 2ª parte do papo entre Jackson Vasconcelos, autor do livro “Jogo dos Cartolas”, e Felipe Ximenes. Agora é hora de falar de futebol. Então, tempo de ouvir quem entende muito do assunto.

Confira a segunda parte do podcast “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”:

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Podcast: “O Jogo dos Cartolas”, com Felipe Ximenes (Parte 1)

Agora é hora de falar de futebol. Então, tempo de ouvir quem entende muito do assunto. Felipe Ximenes comenta o livro “O Jogo dos Cartolas”, com Jackson Vasconcelos, autor do livro.

Confira a primeira parte do podcast “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”:

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Macri, Bombonera ou Casa Rosada?

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No futebol não tem conversa. A torcida decide quem é o técnico e faz isso embalado pela emoção pura, sem racionalidade. O cara pode acertar tudo, como fez Abel nos meses finais de 2012, quando carregou o Fluminense no colo até à Taça de Campeão Brasileiro, mas será mandado embora na esquina mais próxima, se errar um tiquinho que seja, como aconteceu com o mesmo Abel, logo adiante no meses iniciais de 2013, no Campeonato Estadual.

Macri é presidente da Argentina, eleito depois dos governos do sombrio casal Kirchner. Antes, de ser presidente do país, Macri foi Presidente do Boca Juniors, um time de futebol argentino reconhecido entre os melhores do mundo. Certamente, o Macri, presidente do Boca Juniors, fazia o que fazem outros muitos presidentes de clubes de futebol na relação deles com os técnicos. Nem 100 vitórias consecutivas ou mesmo a conquista do melhor campeonato nacional tiram o técnico da linha de tiro, quando três ou quatro derrotas consecutivas sacrificam a torcida.

Ontem, Macri, presidente da Argentina, demitiu o Ministro da Fazenda e Finanças, Afonso Pat-Gay, que, apesar das vitórias importantes dele na Economia Argentina, destroçada pelo casal Kirchner, não conseguiu ainda – mas, conseguiria logo, – derrubar a inflação.

Por Jackson Vasconcelos

 

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O futebol brasileiro na mesa redonda

Na noite desta segunda, 9/11, retornei  à Trevisan – Escolas de Negócios para, na turma de Marketing Esportivo, participar de uma mesa redonda que teve Ricardo Rocha, ex-jogador campeão da Copa de 94 e comentarista no Sportv; Victorino Chermont, repórter da Fox Sports e Alexey Dantas, coordenador do MBA em gestão e marketing esportivo da Trevisan. Em pauta, o futebol brasileiro representado pelo 7×1 na Copa, pela relação dos jogadores com a imprensa, pelo modelo de gestão corporativa dos clubes e pelo papel menor que os dirigentes destinam aos departamentos e profissionais de marketing.

A turma eu conhecia, porque fui professor dela na matéria “Ferramentas de Gestão”.

O Ricardo, um craque em campo, na mesa foi um goleador. Contou as suas experiências e defendeu a necessidade do Brasil ter mais atenção com a formação e, principalmente, retenção dos jogadores que forma. A saída prematura deles impede que os clubes brasileiros contem, no campo, no marketing, nas receitas, com um personagem essencial: o ídolo.

O Victorino Chermont relatou as dificuldades que os repórteres enfrentam no dia-a-dia dos jogos e na convivência com os clubes, por causa do distanciamento que o novo modelo de relacionamento com a imprensa impõe. Vitorino compreende que não se pode voltar ao modelo anterior, muito anárquico, mas também não se pode mais sacrificar com o engessamento, o direito do torcedor de ser bem informado. É preciso um meio-termo.

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Como sempre, eu, insistente, segui a linha de mostrar que os clubes de futebol ainda não compreenderam que o papel deles é gerenciar os eventos – os jogos, um processo de ciclo completo, que tem no estádio a figura do palco, os jogadores, a dos artistas e todo o entorno, com a qualidade de estrutura de suporte.

O Alexey, moderador, teve o grau maior de responsabilidade no sucesso do encontro. Soube tirar de cada um dos participantes, palestrantes e alunos, as melhores opiniões e o calor ideal para o debate. Contribuiu com opiniões sobre o sistema de distribuição das cotas de TV, sobre as causas do 7×1, sobre a Liga nova e o papel do marketing nos clubes.

No final, pra mim, um aprendizado e todos concordamos que é preciso mudar. Caminhamos a trilha levantada pelo Ricardo sobre a necessidade de o Brasil descer do salto alto de único time pentacampeão do mundo, para, com humildade, recomeçar.

Por Jackson Vasconcelos

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Ronaldinho Gaúcho e o Fluminense.

O caso do Ronaldinho Gaúcho com o Fluminense configura ato de gestão temerária? Nos dicionários de Direito, sei lá. Mas, devem sabê-lo com convicção o presidente e o vice-presidente de Futebol do Fluminense, porque são advogados de reconhecido saber jurídico.

Os demais dicionários indicam que sim, porque temerária é toda atitude imprudente, desatinada, infundada, de ousadia excessiva e absolutamente imprudente. Os resultados estão à mostra, mesmo dispensados aqueles protegidos pelo sigilo, argumento que tem boa serventia para os clubes de futebol, quando fazem negócios ruins e precisam, como agora precisa o Fluminense, de um discurso bom.

Caso não, vejamos:

O Ronaldinho foi contratado nos primeiros dias de julho. A valer a rotina de contratação de jogadores nos clubes de futebol, o contrato com ele deve ter tido duas pernas, uma na CLT e outra no direito de imagem. A imprensa comentou que o contrato previa também participação percentual do jogador nas vendas dos produtos com a marca Fluminense e nos valores das mensalidades do sócios conquistados a partir da chegada dele. Na CLT correm FGTS, INSS e coisas tais.

É legítimo acreditar que os valores referentes aos dias de validade do contrato de R10 tenham sido pagos na época própria ou agora, na rescisão. Afinal, o Fluminense é obrigado a ser bom pagador. Assinou um compromisso com a Receita Federal para ser. Como o moço não correspondeu à iniciativa do contrato,  o dinheiro aplicado nele foi jogado fora. Contudo, os dirigentes do clube poderiam ter sido, coitados, enganados. O desempenho ruim do jogador antes de chegar ao Fluminense derruba o argumento.

É argumento razoável também vincular ao valor do prejuízo que pode ser calculado, o custo da demissão do técnico. Observada no ambiente da rescisão do contrato com o Ronaldinho, a ocorrência deixa dúvidas se prudente, porque os resultados ruins do time podem ter sido causados pelo comportamento do jogador e não pelas atitudes do técnicos. E, isso foi dito algumas vezes pelos entendidos que escrevem e falam sobre futebol. Neste ponto, entra o prejuízo que não se pode calcular de pronto, porque diz respeito à imagem, ativo intangível.

O Ronaldinho Gaúcho deixa o Fluminense no 12º lugar da tabela do Campeonato Brasileiro. Encontrou-o na condição de vice-líder e naquele momento encorajou o clube a produzir  um vídeo para zoar o presidente do Vasco da Gama, que tentou levá-lo pra lá.

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Visto diante dos fatos novos, o vídeo pesa uma tonelada nas costas do Fluminense, principalmente, quando nele, com a condição de legenda, a imagem coloca a declaração do vice-presidente de Futebol do Fluminense na ocasião: “Enquanto uns brigavam pelo lado da arquibancada, que por direito é do Fluminense, nós estávamos contratando um jogador que achavam que seria deles”.

É por essas e outras tantas decisões débeis, de gestão absolutamente temporária, que preciso chamar de Gestão Zero, é que defendo uma revisão no modelo de gerência dos clubes de futebol. Um presidente remunerado, com responsabilidade de gestão, seria, no caso do jogador Ronaldinho, chamado a pagar a conta.

Mas, nas redes sociais há quem afirme, com base no crescimento do número de sócios-torcedores motivados pela contratação do jogador, que a relação dele com o Fluminense não foi um desastre financeiro. Pra afirmar o fato, precisam apresentar números, que o Fluminense, opaco como todo clube de futebol, não forneceria. Respostas obtidas para questões simples, como:

a – Quanto foi pago ao empresário do torcedor a título de comissão, no contrato?

b – Quanto o Ronaldinho Gaúcho recebeu efetivamente do clube durante o período de validade do contrato?

c – Quanto custou ele aos departamentos médico e administrativo, incluídas viagens e período de recuperação?

d – Quanto o Fluminense recebeu, no período de contrato, dos torcedores que se associaram em razão do jogador e das campanhas que ele participou?

Do “a” ao “c”, a grosso modo, as despesas. No “d”, as receitas. Depois, subtraiam e apresentem a conta.

Por Jackson Vasconcelos
Imagens: Fluminense FC

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Vai uma gelada antes do gol?

Se for torcer, beba! Se for beber, torça! Agora pode. Antes não podia, porque o Estado Brasileiro é petulante o suficiente para sair a meter o nariz onde não é chamado. Com o velho hábito de querer resolver os problemas pelas consequências e nunca pelas causas, os agentes do Estado, quando entenderam que a cerveja é causa da violência nos jogos, proibiram a venda, sem piedade. Poderiam ter limitado. Nada disso. Curto e grosso, o Estado proibiu.

Mas, o torcedor de futebol adora assistir os jogos em companhia da cerveja. Ao passo que não pode mais levá-la nem marcar encontro com ela nos estádios, resolveu levá-la até os portões. E, como a companhia é agradável, o torcedor deixa pra passar pelos portões no último minuto. Entope das catracas. Tumultua o processo.

Mas, ontem, no Rio de Janeiro, os deputados estaduais consertaram o defeito e liberaram a venda de cerveja nos estádios locais. Como no mundo dos desocupados tudo gera polêmica, a decisão dos deputados também. A decisão é boa? É ruim? Burra? Tem bom senso? É comercial? Política? Trará de volta aos estádios a violência, que segundo alguns diminuiu bastante? Está aberta a temporada de opiniões.

Então, apresento a minha.

A decisão, eu entendo, não obriga nem desobriga a venda. Simplesmente, libera. O ato de vender ou não cerveja dentro dos estádios será dos administradores das arenas. Com eles está, portanto, a responsabilidade de fixar critérios, tanto para impedir que a cerveja seja energia para a violência, como para que dela fazer mais um instrumento de marketing rentável. A quantidade de cerveja pode, por exemplo, ter um limite por torcedor, exigência fácil de fiscalizar, porque os contratos de concessão dos bares, restaurantes e até de ambulantes dependem da vontade exclusiva dos administradores dos estádios. As cláusulas de obrigação resolveriam muito bem o cumprimento dos critérios.

Pelo lado melhor, a inserção da cerveja no rol de produtos vendidos no estádio abre os portões para os contratos de exclusividade e exposição, que têm tudo para oferecer excelentes retornos financeiros para os estádios e clubes. A imaginação do pessoal do marketing dos estádios e dos clubes saberá como fazer, por exemplo, promoções que envolvam ingressos, cerveja, tratamento VIP, incentivo à ampliação do quadro de sócios-torcedores.

Certamente, se o Estado não meter mais a colher nas relações comerciais do futebol, há um bom dinheiro a caminho, que dará aos clubes e estádios, a ocasião certa para melhorar a qualidade dos espetáculos.

Por Jackson Vasconcelos

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Rock In Rio Futebol Clube

O que é um jogo de futebol? Um evento, que tanto mais espetacular, mais rentável e tanto menos, mais deficitário. A definição, se compreendida pelos presidentes dos clubes de futebol, deles faria gestores de eventos. Como os times precisam de patrocinadores, os eventos seriam de ativação das marcas de quem patrocina, com uma vantagem comparativa excepcional sobre os eventos semelhantes, porque o futebol é paixão, que pode fazer dos torcedores fãs das marcas. Está presente no cenário um bom exemplo, que pode ser uma escola para os presidentes dos clubes, o Rock In Rio.

Os músicos e bandas têm o papel subliminar de oferecer às marcas dos patrocinadores mercados imediatos e futuros, porque vendem produtos e imagem. O futebol tem os jogadores e os clubes os contratos para exploração das imagens deles. Mas, os contratos são complementos salariais, com o objetivo único de burlar o fisco e reduzir o compromisso com impostos. Os presidentes dos clubes não olham os contratos de imagem como ferramentas de ativação das marcas, nem mesmo das suas.

Para acontecer, o Rock In Rio tem a Cidade do Rock e o futebol, os estádios. Mas, o modo como um e outro tratam o local dos seus espetáculos é diferente.  Os estádios entram no ambiente de preocupação dos presidentes dos clubes como estornos, elefantes brancos e caros, de tal modo, que há presidentes que preferem gastar dinheiro, tempo e energia com a construção de Centros de Treinamento, quando os seus clubes não possuem estádios. A coisa acontece como se os organizadores do Rock In Rio preferissem a construção de salas de ensaio no lugar de palcos.

O Rock In Rio é planejado com tempo. Cada show é pensado e avaliado. Os jogos de futebol não. Os presidentes dos clubes mal conseguem organizar os jogos do dia seguinte. Tudo é feito com absoluto improviso e nenhuma preocupação há com o retorno financeiro do evento.

Os organizadores do Rock In Rio distribuem cotas de ingressos com os patrocinadores para que eles utilizem na promoção e venda dos seus produtos. Os presidentes dos clubes de futebol utilizam os ingressos de cortesia para levar para os jogos os amigos mais íntimos, os apadrinhados e os bajuladores de plantão, sem qualquer retorno para as marcas.

O Rock In Rio ofereceu ao mercado um curso de gestão de eventos, na verdade, um dia inteiro de palestra e interação com os organizadores, o Rock In Rio Academy. Tomara algum dos dirigentes dos clubes de futebol, principalmente, cariocas, tenham comparecido.

Por Jackson Vasconcelos

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É o bicho!

Qual é o problema de pagar o bicho para os jogadores quando o time alcança metas combinadas, atitude que, dita com mais elegância e primor técnico, significa premiar com dinheiro o bom desempenho em campo? Provavelmente, nenhum. Então, por que o constrangimento com o tema? Porque é legítimo admitir que a medida, na verdade, não premia o bom desempenho, mas o cumprimento de uma obrigação: jogar bem. Então, qual o sentido do salário?

O pagamento do “bicho” indica desequilíbrio de interesses: o clube paga por algo que só tem importância para ele. As vitórias e derrotas não contam como elemento de avaliação do desempenho dos que causam os resultados. Por mais absurdo que isso seja, a realidade no futebol brasileiro é essa. Se não, por que jogadores e técnicos demitidos de um clube por desempenho ruim encontram novo emprego facilmente? E, por vezes, até no mesmo clube de onde saíram?

A premiação pelo cumprimento do dever é o que conceitua a propina, elemento que vicia.

Durante a semana, o presidente e os jogadores do Grêmio assinaram um acordo para pagamento do “bicho”, porque o time bateu 10 jogos seguidos sem derrota antes de enfrentar o São Paulo, no último domingo. A notícia está no Globoesporte.com:

“O Tricolor fez uma releitura da recompensa por tempo de permanência no G-4 e por um agrupamento de um número de vitórias. O acordo, assinado pelo departamento de futebol e pelo capitão Maicon, também deixa uma parte do montante a ser pago em uma poupança, para ser repassada aos jogadores ao fim do Brasileiro.

A cada três jogos – de vitórias, obviamente -, o clube repassa a premiação aos atletas. Além disso, conta a permanência no G-4, algo valorizado. Por este ponto, uma parte apenas da quantia é dada aos atletas. A outra é depositada para que seja dada ao grupo apenas quando o objetivo for atingido, ao final da competição(…). Na festa de aniversário do Grêmio, na última sexta-feira, o presidente Romildo Bolzan Júnior escancarou a situação. Durante seu discurso, lembrou um encontro com Giuliano para acertar mais um pagamento dos prêmios por desempenho.

– Vou cometer uma inconfidência. Estava com o Giuliano acertando mais um pagamento de premiação e falei: “Assim vocês vão acabar quebrando o Grêmio”. ”É nossa intenção presidente” – disse o mandatário gremista, entre risos dos atletas e dos presentes na esplanada da Arena”.

Faz todo o sentido, porque o pagamento do “bicho” é uma decisão que, na origem, acompanha todas as outras num clube de futebol: desespero e euforia, sem qualquer relação com o fluxo de caixa ou com a capacidade de pagamento. Afinal, “o coração (a paixão) tem razões que a própria razão desconhece” (Pascal).

A premiação em dinheiro deveria estar vinculada a resultado em dinheiro. O que ganhará o Grêmio, em dinheiro, se os jogadores cumprirem as metas? Se alguma grana a mais, é legítimo que distribua com o elenco, parte do resultado. Mas, a gente sabe que nem sempre é desse modo. Os clubes pagam o “bicho” com sacrifício das obrigações financeiras.

E o “bicho” vicia. O corpo mole num jogo pode facilmente ser substituído pela garra no jogo seguinte se entre um e outro nascer a promessa de premiação. Mas, como o futebol é magia, os torcedores que não visitam os vestiários nem os bastidores dos jogos acreditam piamente que o mal desempenho substituído é resultado da mudanças dos dias ruins em dias bons.

Todavia, nem sempre o “bicho” faz o milagre da multiplicação dos bons resultados. Vejam o caso do Fluminense. No dia 10 de julho, tempo da 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, a imprensa publicou:

“O elenco do Fluminense entrou em campo na quinta-feira e venceu o Cruzeiro, por 1 a 0, no Maracanã, com os salários em dia. Durante esta semana, o clube depositou os três meses de direito de imagem que estava devendo de  aos jogadores. O atraso já criava um desconforto dentro do grupo.

Como forma de incentivar os atletas neste bom início de Campeonato Brasileiro, a diretoria voltou a praticar o pagamento de “bichos” por vitórias, o que não acontecia, por exemplo, durante o Campeonato Carioca. Em alguns casos, empate também garante direito ao bônus – como no 0 a 0 com o São Paulo, no Morumbi”. Do Globoesporte.com, de Fred Huber e Sofia Miranda.

Nas doze rodadas seguintes, o Fluminense sofreu nove derrotas e empatou duas partidas.  Caiu do 4º lugar para o 11º da tabela. Não é preciso dizer mais.

Por Jackson Vasconcelos

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Por que Deus não administra clubes de futebol?

“O futuro? A Deus pertence”. Não no caso dos clubes de futebol, que acreditam na sorte e no azar e valorizam o improviso. Como “Deus não joga dados”, ele não administra clubes, por isso, faz todo sentido a reportagem “Obras no Engenhão: festa para quem sai, preocupação para quem fica”, do Gustavo Rotstein, publicada no Globoesporte.com.  O Engenhão é uma farsa, do nome a todo o resto.

Alexandre, O Grande, ao passar em revista a tropa, encontrou um soldado desalinhado. “Seu nome?”, perguntou. “Alexandre!”, respondeu o moço. O General devolveu: “Filho, ou mudas de vida ou mudas de nome”. Dar o nome de Nilton Santos ao Engenhão é uma afronta ao craque. Melhor sorte teve o João Havelange que, em vida, se livrou do peso. Mas, quem sabe, a escolha do nome não tenha sido um “ato falho”? Um “lapso freudiano?”. Um modo de demonstrar que se o futebol é paixão, zoação também é.

O Engenhão está no “O Jogo dos Cartolas”, para sustentar a tese de administração improvisada, inconsequente. Reproduzo:

“De supetão, sem aviso prévio, sem qualquer chance de reação por parte dos clubes, a prefeitura do Rio interditou o estádio. Se poderia ou se deveria, não é a questão. O que me surpreendeu foi a reação dos presidentes dos três clubes do Rio sem estádio, mas com peso de torcida: Flamengo, Fluminense e Botafogo, este dependente quase em nível de vício, das receitas que lhe rendiam o Engenhão. Os três, convocados pelo prefeito, estiveram ao lado dele, no momento do aviso ao distinto público. Ninguém percebeu que havia uma relação de causa e efeito entre essa decisão e o desastre logo em seguida com as contas do Botafogo? Tentem tirar o ponto legal de comércio de um comerciante, mesmo pequeno. Ele, por nada no mundo, aceitará de bom grado e muito menos abraçará o espoliado. Eu não tive outro conceito para a atitude. Ela foi mesmo uma manifestação da síndrome de Estocolmo”.

Os estádios de futebol são a sede do negócio e palcos do espetáculo que sustenta de pé os clubes. Dos gramados brotam todas as receitas do esporte, desde o dinheiro da venda dos ingressos, dos direitos de transmissão, da valorização dos craques, dos royalties do material esportivo. Seja através do vídeo, das ondas de rádio ou ao vivo, o jogo é visto e ouvido a partir dos gramados. Não há possibilidade de jogar futebol nos estúdios da TV ou dos rádios, nem nas instalações da Adidas, da Nike, da Puma, da Caixa Econômica ou de qualquer patrocinador.

Por que, então, os dirigentes dos clubes de futebol no Rio de Janeiro não se importam com o que acontece com os estádios da cidade? Porque pra eles Deus joga dados, o futebol é obra da sorte e do azar, do astral do técnico no dia dos jogos. É “uma caixa de surpresas”.  

O Maracanã é ponto de negócios do concessionário e o futebol ali é um detalhe, um visível estorvo. E o Engenhão? A história completa é contada todos os dias. São Januário? Nem o Vasco sabe exatamente pra que serve. Nenhuma empresa no mundo todo trata desse modo a sede dos seus negócios. Por isso, se o futebol nacional não anda bem, o do Rio de Janeiro anda bem pior.

Por Jackson Vasconcelos