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Carlos Portinho e Lisa Murkowski.

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Escrevo este texto, não tendo ainda notícia de quem será o candidato ao Senado pelo PL do Estado do Rio de Janeiro.

A palavra final no PL com relação a qualquer assunto e qualquer coisa é do Jair Bolsonaro. Lá ele manda, desmanda e manda novamente.

Só por isso, o Senador Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República e empolga exclusivamente os bajuladores do pai.

Olhando o caso, lembrei-me de um episódio excepcional ocorrido nas eleições americanas em 2010, quando a senadora Lisa Murkowski, representante do Alasca, protagonizou um dos feitos eleitorais mais improváveis da história política dos Estados Unidos.

Algo impossível de acontecer no Brasil, país onde os partidos não são propriedade dos filiados.

Após perder a primária republicana para um candidato apoiado pelo movimento Tea Party, Lisa ficou sem direito de ter seu nome impresso na cédula eleitoral.

Ela, contudo, não desistiu de ser candidata e optou pelo write-in, uma peculiaridade da eleição americana, que dá oportunidade aos eleitores de, num espaço em branco colocado na cédula eleitoral, escreverem o nome do candidato que desejam eleger.

Contra todas as expectativas, Lisa venceu tanto o candidato oficial do Partido Republicano quanto o candidato democrata, tornando-se a primeira senadora em mais de meio século a chegar ao Senado por esse caminho.

A senadora permanece no Senado, filiada ao Partido Republicano para aumentar as dores de cabeça do Donald Trump.

Até aquele ano – 2010 – o senador Strom Thurmond, da Carolina do Sul, era caso único de uma eleição pelo sistema write-in.

Um democrata dissidente (conhecido por suas posições segregacionistas na época), Strom foi preterido pelo partido.

Ele, então, lançou-se candidato write-in em protesto e, numa reviravolta histórica, venceu a eleição geral, derrotando o candidato oficial registrado pelos democratas na cédula.

Durante 56 anos, esse feito foi visto como um raio que não cairia duas vezes no mesmo lugar. Mas, caiu.

Que bela democracia!

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