São nada menos que R$4,9 bilhões retirados dos cofres públicos para abastecer o Fundo Eleitoral, dinheiro que os donos dos partidos distribuem do modo como acham melhor e desse jeito somam mais essa prerrogativa às de registrar as candidaturas e distribuir o tempo de veiculação gratuita no rádio e na TV.
O eleitor paga a conta.
Divididos entre 212 milhões de brasileiros, os R$4,9 bilhões representam cerca de R$23 por pessoa — da criança recém-nascida ao aposentado. Mas, se considerarmos somente os 156 milhões de eleitores aptos, o custo chega a cerca de R$31,50 por título eleitoral.
Uma bagatela, que o eleitor paga para votar, para anular o voto ou votar em branco e também para se ausentar, se assim decidir.
É nesse ponto que a matemática das ruas revela toda a perversidade do sistema. O cidadão que vende o voto por um valor maior do que os R$31,50 está, na verdade, se ressarcindo com lucro.
Uma doideira, não?
Entretanto comprar o voto é crime, vender também. Então, considerando-se o custo benefício, ideal seria que o Estado punisse com rigor a compra e a venda do voto, a ponto de tornar a venda e a compra um enorme prejuízo, que desaconselhe a transação a qualquer preço.
Contudo, a fiscalização e a punição reduzem são tão irrelevantes, que o ato de comprar e vender voto já é usado com a mais absoluta naturalidade. Então, está válida a conta: quem vender o voto por um valor do que os 31 reais e 50 centavos, está se ressarcindo com lucro.


