O jornal Folha de São Paulo traz hoje a matéria “Cidades com pior IDH recebem menos verba federal e estadual do que a média”. O trabalho está assinado pelo repórter André Fleury Moraes.
O ponto cego da pesquisa está na falta de uma informação essencial: a qualidade do gasto. Afinal, o que as cidades citadas fazem com o dinheiro recebido?
O dado que falta nos daria a oportunidade de avaliar a capacidade de gestão da administração municipal, porque os recursos públicos não são neutros. Eles podem financiar a transformação ou perpetuar a ineficiência. Mal utilizados ou alocados sem prioridade técnica, viram folha inchada, contratos pouco transparentes, obras de baixo impacto ou políticas assistencialistas que não alteram estruturalmente a realidade local.
Nas cidades de qualquer tamanho, a ausência do dado essencial responde à cultura da gestão pública no Brasil. Luta-se pelo dinheiro, nunca pelo resultado social da aplicação dele.
O resultado importa menos do que o repasse e reduz a pressão por governança qualificada.
Sem métricas claras de resultado, transparência radical e responsabilização efetiva, aumentar os repasses pode apenas ampliar o desperdício. O debate sério deveria migrar do volume para o desempenho: quais cidades conseguem transformar recursos em melhoria concreta de vida? O que elas fazem de diferente? E por que esse padrão não é replicado?


